MS segue entre os estados mais perigosos para mulheres no Brasil

Mato Grosso do Sul registrou a segunda maior taxa de feminicídios do Brasil em 2024, conforme dados oficiais das Secretarias Estaduais de Segurança, analisados com base na população do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Somente em fevereiro deste ano, ao menos seis feminicídios foram registrados em Mato Grosso do Sul, sendo que dois dos casos envolveram vítimas indígenas.
Com 35 vítimas no ano, o Estado registrou taxa de 1,27 assassinatos de mulheres por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Mato Grosso, que lidera o ranking com taxa de 1,28 e 47 vítimas.
Os números analisados pelo Campo Grande News evidenciam a vulnerabilidade das mulheres na região Centro-Oeste, onde se concentram os dois estados com as maiores taxas de feminicídio.
O Piauí aparece em terceiro lugar, com taxa de 1,22 e 40 vítimas, seguido por Roraima (1,10 e 7 vítimas) e Maranhão e Espírito Santo, ambos com taxa de 1,02 e 69 e 39 vítimas, respectivamente.
Outros estados com números preocupantes são Paraná, com taxa de 0,95 e 109 feminicídios, além de Pernambuco, que registrou 77 casos e taxa de 0,85. No Distrito Federal, foram 23 vítimas (taxa de 0,82), enquanto em Goiás, com 57 mortes, a taxa foi de 0,81.
Já os estados com menores índices incluem Amapá, que registrou apenas dois feminicídios e apresenta a menor taxa do Brasil (0,27), seguido por Sergipe (0,45 e 10 vítimas) e Ceará (0,47 e 41 vítimas). São Paulo, estado mais populoso do país, teve 253 feminicídios, mas a taxa é relativamente baixa, de 0,57.

Secretaria da Cidadania – Por meio de nota, a Secretaria da Cidadania disse que Mato Grosso do Sul é um dos estados brasileiros que, desde a promulgação da Lei nº 13.104 (que inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos), tem tipificado e notificado de forma correta os crimes de feminicídio e violência contra as mulheres.
Isso significa, conforme o texto, que com maior número de registros e qualificadoras corretas, os índices colocam o Estado nas primeiras posições. Quanto à concentração com maiores índices de feminicídio na região Centro-Oeste, isso indica fatores estruturais e culturais que precisam ser analisados e enfrentados.
“Diante disso, temos implementado políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, reforçando ações de prevenção e com uma análise minuciosa da rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. Ampliando a rede de proteção, melhorando a interação entre os poderes e modernizando as estruturas existentes”.
A secretaria cita, como exemplo, o Ceamca (Centro Especializado de Atendimento à Mulher, à Criança e ao Adolescente em Situação de Violência), que ampliou os serviços de enfrentamento à violência de gênero em diversas dimensões, atuando com as crianças e adolescentes que também são impactados cognitiva e emocionalmente por presenciarem situações de violência doméstica em seus lares.
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Por Guilherme Correia/Campo Grande News.






